Para sempre em construção

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Cadê a abóbada que era pra estar aqui? Essa é literalmente a inquietação que eu sinto quando me deparo com situações/lugares assim. Eu gostei tanto de lá que fui duas vezes na mesma viagem, mesmo estando distante de onde estava hospedada. Uma inquietação. Ela caiu? Foi destruída? Foram problemas na construção? Houve uma guerra? Ela não foi acabada? Todas essas perguntas tentam responder o fato de não haver ali o que eu esperava que deveria ter. Mas é exatamente o que falta, que faz com que seja diferente e inquietante.

Nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro de Santa Maria da Vitória (ou Mosteiro de Batalha) existe assim, uma construção linda, cheia de detalhes. Tão perfeita quanto ela deveria ser: perfeita na imperfeição.

Entre sol e chuviscos, o chão da capela estava molhado. E ela tem todos os detalhes que podemos esperar de uma construção gótica. Ela é uma construção sólida e antiga, que está no mundo há quase seiscentos anos e, se nada muito drástico acontecer, por aqui ela vai permanecer. E ela não vai ser terminada. Para sempre em construção, ela deixa que a nossa imaginação trabalhe.

Para sempre em construção. É essa inquietação que eu não quero perder jamais, pois é ela que me anima e é nela que mora a minha alma. Na vida, seguimos a construção até certo ponto, como a base da Capela, moldamos a estrutura do nosso ego, criamos nossas sombras, nos apaixonamos, sofremos pela paixão, projetamos (…). Depois, queremos terminar esse quebra-cabeças, mas essas peças não existem, temos que imaginá-las, construí-las e é nesse processo que a vida fica interessante.

Sem esse teto protetor, a chuva entra e a chuva é água e água é vida. Para sempre imperfeita, para sempre em construção – que felicidade.

Mosteiro de Batalha, Vila de Batalha. Portugal. Set. 2015.

Seguimos,

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